O violonista Marco Pereira é o mais novo endorsee D’Addario. Músico renomado, possui um currículo impecável de gravações e parcerias com outros medalhões da música brasileira.
Gravou vários trabalhos solo e participou de álbuns de artistas como Zélia Duncan, Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Edu Lobo, Gal Costa, entre tantos outros.
Orientado inicialmente pelo mestre uruguaio Isaías Sávio no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, aprimorou-se na França, onde recebeu o título de mestre em violão pela Universidade de Música de Paris. Ainda na França, defendeu uma tese sobre Heitor Villa-Lobos.
Entrevistamos o músico para conhecermos mais sobre sua sólida carreira. Marco também conta como as cordas D’Addario influenciam em seus estudos e apresentações. Saiba mais a seguir.
D’Addario: Com que idade começou a tocar violão e quais foram suas primeiras influências musicais?
Marco Pereira: Eu comecei a tocar violão por volta dos 13 anos de idade. Sou o primeiro músico de toda a família e talvez esse tenha sido o motivo para ter começado a tocar o instrumento, assim, um ’pouco tarde’.
D: Quais foram os mais significativos aprendizados do período de cinco anos em que viveu na França?
MP: Esses anos que vivi em Paris foram muito intensos, tanto do ponto de vista musical quanto do ponto de vista pessoal. Eram ’anos de chumbo’ no Brasil e havia muita gente especial que estava afastada do país por problemas políticos. O contato com essas pessoas foi fundamental para o meu desenvolvimento intelectual. Além disso, havia um grande contingente de latino-americanos vivendo por lá. Isso também me ajudou muito como pessoa e me deu a noção mais real do continente latino-americano, sua vasta cultura e as características de cada país. Na parte puramente musical, os anos na França serviram para definir a escolha de um estilo. Lá havia de tudo um pouco: jazz, música clássica, folclore latino-americano e até música brasileira tradicional. Logo que cheguei, me recordo, costumava dividir uma ’chambre de bonne’ com uma companheira violoncelista. Eu estudava meu violão pela manhã, enquanto ela ia para o Conservatório. No início da tarde ela voltava e eu ia estudar solfejo numa igreja que ficava ao lado (Notre Dame de Lorete). Um dia cheguei a levar um susto com o repentino som do órgão da igreja que começava a ser tocado. Quando comentei esse fato com algumas pessoas fiquei sabendo que o organista, que eu depois passei a ouvir regularmente, era Monsieur Olivier Messian. Incrível! Também costumava, às quartas- feiras pela manhã, frequentar um curso regular na Sorbonne que era dado por ninguém menos que Pierre Boulez!
D: Quais são os elementos mais frequentes que o inspiram a compor e quais são seus métodos de criação?
MP: Minha base de inspiração para minhas composições está totalmente dentro do panorama da expressão musical brasileira. O Brasil é muito rico no aspecto rítmico e esse é um elemento primordial em minhas criações. Evidentemente, existem aspectos puramente técnicos que todo músico precisa conhecer para compor: harmonia, contraponto, forma etc. Todos nós nos servimos também deles, mas isso não vem ao caso.
D: Você transita entre vários estilos musicais, de clássicos da música brasileira a valsas populares. Como você se prepara para cada trabalho?
MP: Todo músico tem duas atividades básicas: tocar e gravar. As demais são complementares. Eu desenvolvi toda minha carreira voltada sempre para o registro fonográfico e para as performances ao vivo. Posso dizer que o registro fonográfico ainda é mais determinante que o concerto no que tange à escolha de repertório etc. Eu sempre busquei gravar cada novo trabalho de modo que contasse uma história particular. Acredito que um CD, por exemplo, é muito parecido com um livro. É preciso um conceito que o norteie.
D: De qual maneira as cordas D’Addario influenciam o seu modo de tocar e compor?
MP: Uma boa corda é bastante similar a um bom instrumento. Quanto melhor, menos você presta atenção neles. Quando seu instrumento começa a lhe chamar a atenção é porque existe algum problema com ele. Assim também é com as cordas. As cordas D’Addario não chamam a minha atenção. Não quero parecer ’blasé’ ou coisa assim, mas essa é a verdade. É claro que poderia falar o óbvio para você, como: "as cordas D’Addario são excelentes porque tem a tensão exata que eu preciso, são muito afinadas, tem um brilho característico muito especial e uma durabilidade sem igual", mas isso todo mundo sabe.
D: A 7ª corda avulsa é usada em quais momentos?
MP: Em alguns violões especiais, como o violão requinto de 7 cordas, violão de 7 cordas e violão de oito cordas.
D: Como você concilia a carreira de solista com a de professor universitário? Fale um pouco sobre o seu dia a dia de músico e educador.
MP: Olha, às vezes não é fácil, não. Mas sempre acaba dando tudo certo. Eu gosto muito desse contato com os alunos. Na Universidade eu ensino Harmonia, que é uma outra paixão. Isso faz com que a atividade de músico e de professor sejam complementares, uma ajuda a outra. Estou ligado à Universidade há 24 anos e, a essa altura, já posso dizer que deu certo! Ainda este ano vou lançar um trabalho sobre Harmonia que me custou muito tempo para preparar. Serão três volumes só sobre esse mundo dos acordes.
D: Quais são seus projetos para este ano?
MP: Além do livros de Harmonia, vou lançar um CD solo dedicado ao universo do choro-canção. É um CD de violão solo com um repertório muito bonito que tem Radamés Gnatalli, Cesar Mariano, Pixinguinha, Waldir Azevedo, K-Ximbinho, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Jacob do Bandolim, além de três composições minhas. Também deve sair ainda este ano um método para violão de sete cordas que estou fazendo em parceria com Rogério Caetano.
* Marco Pereira usa encordoamentos D’Addario EJ 46 LP, EXP 46 e EJ 31.